Principais Pragas do Café Arábica: Como Identificar, Prevenir e Controlar na Lavoura

Se tem uma coisa que pode derrubar a produtividade da lavoura de forma silenciosa, são as pragas do café arábica. Muitas vezes o produtor só percebe o problema quando o prejuízo já aconteceu — e aí já é tarde para recuperar a produção.
Conforme abordamos em artigos anteriores, a presença de pragas e doenças no cafeeiro pode comprometer diretamente a qualidade dos grãos e o lucro final. Neste artigo, você vai entender como identificar, prevenir e fazer o controle das principais pragas do café.
Continue com a gente e confira.
Quais são as principais pragas do café arábica
As pragas do cafeeiro atacam diferentes partes da planta e podem causar desde desfolha até perda total da produção. Entre as principais estão a broca-do-café, o bicho mineiro, a cigarra e os ácaros.
Como identificar pragas no cafeeiro (sinais práticos)
Identificar cedo é o que separa uma lavoura produtiva de um prejuízo grande. Fique atento aos sinais mais comuns:
- Grãos furados → possível ataque de broca-do-café
- Folhas com manchas ou minas → bicho mineiro
- Furos no solo e som de insetos → cigarras
- Folhas bronzeadas ou sem brilho → ácaros
Broca-do-Café (Hypothenemus hampei)
A broca-do-café é uma das pragas mais prejudiciais da cultura cafeeira. Esse besouro perfura os grãos e deposita seus ovos no interior, onde as larvas se desenvolvem.
O grande problema é que as larvas se alimentam diretamente do grão, reduzindo peso, qualidade e valor de mercado. Além disso, os furos facilitam a entrada de outras pragas e doenças.
Para controle, é importante realizar a colheita bem feita, evitando deixar grãos na lavoura. O controle biológico pode ser feito com fungos como Beauveria bassiana, e o químico com produtos como Clorantraniliprole, Abamectina e Espinosade.

Bicho Mineiro (Leucoptera coffeella)
O bicho mineiro é uma pequena mariposa que causa grandes prejuízos. Suas larvas penetram nas folhas e se alimentam do tecido interno, formando as chamadas “minas”.
Esse ataque reduz a capacidade de fotossíntese e pode causar intensa desfolha, comprometendo diretamente a produtividade da lavoura.
O controle envolve manejo adequado da lavoura, estímulo ao enfolhamento e uso de inimigos naturais, como vespas predadoras. Em casos mais severos, utiliza-se controle químico com diamidas, espinosinas e piretroides.

Cigarra no Cafeeiro (Quesada gigas, Fidicinoides sp. e Carineta sp)
As cigarras não atacam apenas o café, mas podem causar danos severos quando presentes na lavoura. As ninfas ficam no solo e se alimentam da seiva das raízes.
Isso enfraquece a planta, causando queda de folhas, clorose e redução na produção. Em casos mais graves, pode levar à morte do cafeeiro.
Sinais como furos no solo e o som característico das cigarras indicam infestação. O controle normalmente é feito com inseticidas específicos, como carbamatos e neonicotinóides.

Ácaros no Café (Oligonychus ilicis e Brevipalpus phoenicis)
Os ácaros são comuns em períodos secos e atacam principalmente as folhas. O ácaro-vermelho deixa as folhas com aspecto bronzeado e reduz a fotossíntese.
Já o ácaro da leprose é transmissor de vírus, causando manchas em forma de anel nas folhas e frutos, além de queda de produtividade.
O controle pode ser natural em períodos chuvosos, mas em casos de infestação é necessário o uso de acaricidas como Hexythiazox, Spirodiclofen e Cyflumetofen.

Como fazer o controle de pragas no café
O controle eficiente das pragas do café não depende de uma única ação, mas de um conjunto de práticas:
- Monitoramento constante da lavoura
- Colheita bem feita (sem deixar resíduos)
- Manejo adequado do solo e nutrição
- Uso de controle biológico sempre que possível
- Aplicação de defensivos de forma estratégica
3 erros que aumentam as pragas na lavoura
- Deixar restos de colheita no pé ou no chão
- Não monitorar a lavoura com frequência
- Agir apenas quando o problema já está avançado
Muitos produtores só percebem o problema quando a produtividade já caiu. E nesse ponto, recuperar o prejuízo é muito mais difícil.
Conclusão: prevenir é sempre mais barato que remediar
As pragas do café arábica fazem parte da realidade da lavoura, mas o impacto delas depende diretamente da sua gestão.
Quem identifica cedo, produz mais. Quem deixa para depois, paga o preço na colheita.
Se você quer evitar dor de cabeça e manter sua lavoura produtiva, o segredo está no acompanhamento constante e nas decisões certas no momento certo.


